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VEGETAÇÃO ORIGINAL DO BOSQUE ANTÔNIO BARTOLOMEU FOI DESCARACTERIZADA COM SUPRESSÃO DESNECESSÁRIA

Criado em 2023, após aprovação de Projeto de Lei de iniciativa da vereadora Aninha de Fizica (PSB), o Bosque Antônio Bartolomeu (arborização das margens do Rio Piranga ao longo das Avenidas Antônio Brant Ribeiro/Vila Centenário, Arthur Bernardes e Custódio Silva, começou sua formação em 23 de abril de 1972, com as primeiras mudas de árvores (subipirunas) plantadas por Dona Iracema Bergamini, com apoio de Ricardo Motta, nas imediações do Asilo Municipal.

É importante que as pessoas saibam que toda a margem esquerda do Rio Piranga não tinha vegetação expressiva por causa da existência de diversos portos e até uma draga (Mário da Areia).

Quem conhece a história sabe que a maioria das árvores foi plantada pelos moradores, entre eles o delegado de Polícia Civil, Dr. Walter Joviano de Aquino, que introduziu as mangueiras entre o Asilo Municipal e o Pontilhão de Ferro.

Em 2020, o policial Teixeira (hoje mora em Barbacena), Edinho Tiranos e sua esposa, Marcelo, Ricardo Motta e sua filha Barbara, plantaram diversas frutíferas entre o Pontilhão de Ferro e a placa de inauguração do asfaltamento na Vila centenário: pitanga, jamelão, acerola, amora-miúra e gigante, castanheira-do-maranhão, entre outras.

Em frente ao Asilo Municipal, o plantio de frutíferas e árvores nativas foi de iniciativa de Zim Peru: pitangueiras (diversas), mangueiras, cutieira, castanheira-do-maranhão e eugênia. Estes plantios foram cuidados com carinho e devoção, com aspersão de água e podas.

Outra pessoa tem que ser citada, pois a história não pode omitir ninguém. É o Cipriano, morador da Avenida Antônio Brant Ribeiro (Vila Centenário). Ele simplesmente adotou o espaço em frente ao Centro Espírito Humildes da Última Hora. Todas as frutíferas foram plantadas e cuidadas por ele.

É preciso entender que as árvores de Ponte Nova fazem parte de uma história que começa lá na década de 1980, quando o Prefeito Sette de Barros, com ajuda do engenheiro florestal do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Fernando Ferreira, plantou cerca de 5.000 mil árvores nas ruas e bairros.

O Prefeito Antônio Bartolomeu arborizou as duas margens do Rio Piranga: em 1980, margem direita do Rio Piranga. Em 1990, na margem esquerda (Vila Centenário), entre o Pontilhão de Ferro e a Ponte da Barrinha, o projeto de arborização foi elaborado pelo engenheiro florestal João Paulo de Britto.

A arborização foi reivindicação da Associação de Moradores da Vila Centenário (AMOVILA), entidade que era presidida por mim (Ricardo Motta), secretário geral, Dr. Wandeir Maciel Miranda, vice-presidenta Mazzarello Bargamini, e Antônio Inácio Boneca (Diretor Cultural). Cerca de 2.000 mil árvores de diversas espécies foram plantadas, além das palmeiras-imperiais.

Cabe lembrar, que em 1991, exatamente no Dia Mundial do Meio Ambiente (05 de junho), foi inaugurada a Praça Lucindo Lessa (Vila Centenário), com 07 (sete) ipês-rosa (ideia de Denis Mendonça, que era secretário da administração municipal).

A praça também foi reivindicação da AMOVILA, com intermediação da arquiteta e urbanista Maria do Carmo Zinato (autora do projeto da praça) e do secretário municipal de Fazenda, Afonso Mauro Pinho Ribeiro Tim. O prefeito era Antônio Bartolomeu.

As intervenções em bosques urbanos, localizados em Área de Preservação Permanente (APP), são permitidas, mas apenas sob casos excepcionais. Qualquer ação exige licenciamento do órgão ambiental municipal e deve se enquadrar como utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental, segundo o Código Florestal (Lei 12.651, de 25 de maio de 2012).

Proteger áreas intocáveis, como é o caso do Bosque Antônio que tem mais de 35 anos (44 anos considerados os primeiros plantios) é essencial para compreender a dinâmica natural e garantir a conservação ambiental. A manutenção de habitats preservados no Bosque Antônio Bartolomeu demonstra como processos ecológicos sem intervenção humana sustentam a vida.

Conhecer a importância da madeira em decomposição revela os segredos para a riqueza biológica de ecossistemas seculares. Os troncos caídos não são removidos, servindo como alimento e abrigo para milhares de organismos invertebrados essenciais.

Essa rica cobertura vegetal intocada sustenta a teia alimentar e promove um equilíbrio duradouro na biodiversidade ao longo de todas as estações do ano. A madeira em decomposição atua como um verdadeiro berçário para a germinação de novas plantas e mudas arbóreas.

Esse material orgânico retém a umidade do solo e enriquece a terra com minerais vitais para a fauna florestal. Manter o ciclo natural sem limpezas artificiais fortalece a resistência da vegetação contra pragas e variações no clima. A preservação da matéria morta é fundamental para o equilíbrio ecológico permanente.

Com isso existirá a retenção contínua de água no solo para evitar a aridez durante períodos secos; enriquecimento constante do solo por meio da liberação gradual de nutrientes e abrigo natural e local de ninho e tocas para mais diversas espécies de aves e invertebrados registrados no Bosque Antônio Bartolomeu: sabiá, joão-de-barro, joão-teneném, bem-te-vi, coleirinho, biguá, lagarto, cobras, rato-do-mato, entre outros.

Estou escrevendo sobre isso, porque existem várias pessoas que me procuram para que eu interceda junto à secretaria municipal de Meio Ambiente (Semam) para que sejam retiradas as árvores caídas. O certo é mantê-las, apenas retirando galhos que estejam dentro do Rio Piranga.

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