Rio de Janeiro. Dois vereadores do PSOL, um delegado de polícia e um juiz doaram dinheiro para um evento de fim de ano organizado pelos mesmos líderes das manifestações de rua do Rio. A lista foi divulgada na tarde de ontem pelo site da revista “Veja”, com base numa espécie de prestação de contas feita pela ativista Elisa Quadros, a Sininho, que circulou num grupo fechado do Facebook.
Os vereadores Renato Cinco e Jefferson Moura aparecem com doações de R$ 300 e R$ 400, respectivamente. O delegado Orlando Zacoone doou R$ 200. Outro citado é o juiz João Batista Damasceno, que segundo a lista teria contribuído com R$ 100. Ele nega.
O evento Mais Amor Menos Capital contou com apresentações musicais e refeições servidas para cerca de 300 moradores de rua da Cinelândia no fim de dezembro. Segundo a planilha, foram gastos R$ 1.699,97 na festa. A verba, de acordo com a lista, bancava de papel higiênico até rabanada.
Em entrevista ao jornal “O Globo”, Orlando Zaccone confirmou que fez a doação. Ele contou que foi procurado pelo grupo “Ocupa Câmara” para fazer uma palestra sobre o direto de liberdade de manifestações.
“Aceitei o convite e, na hora, me pediram uma contribuição. Decidi só dar o dinheiro quando fui ao evento e vi em que realmente o valor seria gasto. Não contribui para a causa dos Black Blocs, mas para um movimento pacífico”, disse o delegado, referindo-se ao movimento que participou de várias manifestações, com ativistas acampados na Cinelândia. Parte dos manifestantes invadiram e passaram dias no Palácio Pedro Ernesto, só saindo por determinação judicial. Os invasores protestavam contra a composição da CPI dos Ônibus, de maioria governista.
O vereador Jefferson Moura disse que a doação foi feita por funcionários do gabinete, mas que ele concordou por considerar que os recursos se destinavam a um evento social. Ele acrescentou desconhecer que a doação teria ligação com o “Ocupa Câmara”. Tanto no caso do delegado quanto de Jefferson, entre os ativistas que recolheram o dinheiro estava Sininho.
Renato Cinco está viajando. Em nota, a assessoria do vereador confirmou a doação e informou que o dinheiro foi usado para comprar alimentos para o evento.
Em nota, o juiz Damasceno afirmou que jamais contribuiu financeiramente “para qualquer manifestação ou entidade que as convoque”. “Abro meu sigilo bancário para conferência.”
Militantes de esquerda lideram novo protesto contra tarifas
Rio de janeiro. Cerca de 500 pessoas fizeram na noite de ontem mais um protesto contra o aumento da tarifa dos ônibus no centro do Rio. Por volta das 18h30, o grupo ainda se concentrava na praça da Candelária. Não havia mascarados entre os manifestantes.
O protesto foi encabeçado por militantes de partidos de esquerda, como PSTU, PSOL, PCB e PCR. Havia ainda militantes de movimentos sociais da juventude de esquerda, como a Associação Nacional do Estudante Livre e a União da Juventude Comunista. Até o fechamento desta edição, não foi registrado ato de violência.
Tipificação
Projeto. Durante bate-papo pela internet com a população, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, disse ontem que o projeto de lei encaminhado por ele ao Senado para tipificar o crime de desordem não visa a cercear a liberdade de expressão e manifestação, mas “colocar ordem nos protestos, como acontece nos países desenvolvidos”.
Participação. Enquanto Beltrame tenta “ordenar” manifestações, os deputados federais do Rio formaram um grupo e querem se reunir com o secretário na próxima segunda-feira. O grupo pretende acompanhar de perto as apurações sobre a possível participação de partidos políticos no financiamento dos grupos que agem com violência durante os protestos de rua em todo o país.
Contabilidade
Web. Preso pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, Caio Silva de Souza afirmou que a contabilidade do dinheiro distribuído aos manifestantes foi publicada nas páginas do Anonymous e do Black Bloc na internet.
O TEmpo
Partidos negam aliciamento 

