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“Viagem” ao Centro Histórico de Ponte Nova: Modernidade interage com o Antigo

“Viagem” ao Centro Histórico de Ponte Nova: intervenções modernas e criativas interagem com o Patrick Histórico

 

               Algo surpreendente vem acontecendo no Centro Histórico de Ponte Nova, tendo como protagonistas alguns seres que “viajam” interpelador, vagando entre o novo e o antigo, entre a modernidade e o “velho”. Não sem uma dosagem de respeito ao meio ambiente, mostrando a sensibilidade dos traços arquiteturas para com os galhos tortos, flores amarelas, folhas secas e sementes de voadoras dos primorosa de cacho.

 

                Antes mesmo da transformação do visual que vem somando autoestima e alegria das cores, o Centro Histórico, próximo à Rodoviária Velha e Vila Arenga, este um bairro boémio, de malandros de sapato branco e de gosto variado, como cachaça, mulher e samba, ganhou em 2007 os primeiros pisos interditados (haver), dando origem à Praça Elísio Bartolomeu (Projeto de Lei do vereador Halaor Xavier de Carvalho).

 

                Mas, quando se esperava uma sanha avassaladora em busca de mais espaço, as arquitetas e Urbanistas Fininha e Carla buscaram interagir com o Acodem e aderiu ao meio ambiente, respeitando todas as árvores existentes no local. Estas árvores foram plantadas por Miriam Fonseca e Boquinha, entre os trilhos já desativados da Rede Ferroviária Federal. Antes da modernidade, a ação corajosa dava vida ao local que vivia agoniado pela perda do barulho dos trens e o burburinho do Hotel Glória.

               Tininha e Carla, sempre acompanhadas do Arquiteto e Urbanista Artur Senna Avelar, foram além dos trilhos e do paver e ainda propuseram o plantio de mais 20 árvores para dar sombra ao estacionamento criado em frente ao antigo prédio da Rede. A praça foi inaugurada em 2008, mas as árvores só foram plantadas em 2011, por birra de ex-secretário da  gestão de Dr. Taquinho Linhares.

 

                

 

              Mas, o respeito aos trilhos da Rede foi agenda firme e deliberada do Codema e da SEAMA/Secretaria de Agricultura, Meio Ambiente e Abastecimento, hoje apenas Semam. Em 2002, exatamente no dia 04 de outubro, Dia de São Francisco de Assis, Patrono da Ecologia e Protetor do Animais, foram plantadas diversas espécies de árvores nativas entre os trilhos, respeitando as já existentes plantadas por Waltinho Fumeiro.   Este trecho é o único onde os trilhos estão conservados, em frente à Ormel.

 

          Nascia ali o Jardim das Goiabeiras, plantado por estudantes da Escola Municipal Otávio Soares, sob a coordenação da Engenheira Florestal Cecília Gomides e do então presidente do Codema, que na ocasião era Ricardo Motta. Alguém havia sugerido arrancar os trilhos, mas não aceitamos. A história teria que ser preservada.

 

        Naquela data, 04/10/2002, antes do plantio aconteceu a primeira bênção dos animais no adro da Matriz de São Sebastião. Antes a nave histórica da Matriz foi testemunha da primeira missa missa ecológica realizada em Ponte Nova, com declamação de poesias e declaração de amor ao animais e ao meio ambiente pelo Padre Sabino. 

 

          Quase que me perco nas entre (linhas), mas o robô da memória me faz lembrar do início da “viagem”. Algo novo resplandece debaixo do sol e ao longo das margens do rio Piranga: o grafite. Incorpora-se gradativamente ao solo de Ponte Nova. Para isto, há que se declinar à ação da SEPLADE/Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico que tem como gestor Paulo Roberto dos Santos, o Paulinho.

 

            Mas esta nova onda que vai de leve e sempre, é encarnada pela pela sedução feminina de Mariane Ferreira que empresta sua fala mansa e seus gestos decididos para buscar sempre novos parceiros. Melhor parceiro ela encontrou: Felipe Polesca, um romance cultural e artístico, para o bem da nossa terra. E entram ACIP, Assuvap e etc e tal. 

 

             E eis, que o Patrimônio Histórico,  o primeiro muro atirantado, de mais de  meio século, que sustenta a Rua Olegário Maciel e dá vista para o prédio da antiga Casa Glória (dos irmãos Ribeiro) recebe a intervenção do grafite, com imagens antigas de uma Maria Fumaça (olha os trilhos de novo!) casarões antigos. Novo no Antigo, com respeito.

 

             Nos tempos atuais, mais intervenções modernizantes no Centro Histórico, parte baixa, ao longo da margem esquerda do rio Piranga, Rodoviária Velha. Paver ao lado do cais de mais de 70 anos. Antes 25 árvores (oitis)  foram plantadas em 29 de outubro de 2013, pela ONG Puro Verde, Codema e Semam. 

 

                Em 2015, a Arquiteta e Urbanista, Renata Esperança e a Engenheira Civil, Daniele Silva, interagem com o Codema: árvores respeitadas e Daniele ainda coordena trabalhos de remoção do passeio antigo para evitar que  as árvores fossem afetadas pelo movimento das máquinas. De quebra, orientou obra para criar área de infiltração em volta dos oitizeiros.

 

              Câmara Técnica de Construção Civil, Infraestrutura e Urbanismo do Codema analisa projeto de implantação de novas lojas no imóvel de Alice Gastim. O imóvel (quando de pé) era histórico. Foi quase destruído pela enchente de 2008. Restava uma parede e meia. A CTCIU negou a construção de mais de um piso. Optou-se pela reforma, mantendo as características originais, desde os tempos do falecidos Calisto e Tãozinho. O Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural participou da decisão do Codema.

 

              Em 2010, antes da atuação firme do Codema e do Conselho do Patrimônio, a BCR  patrocinou literalmente a reforma da praça próxima da Rodoviária Velha, na boca da ponte Arhur Bernardes. Paver, bancos de estilo antigo e preservação de 02 (duas) árvores de ipês-roxo e 01(uma) de ipê-amarelo. O antigo e o novo interagindo no mesmo espaço.       

 

                      No atual momento, 02 (dois) novos projetos de PPP (Parceria Público Privada) entre a Prefeitura Municipal e a BCR vão modificar a paisagem do Centro Histórico, mas preservando as árvores e os trilhos da linha férrea, mas ganhando pisos intertravados (paver e bloquetes) e estacionamento de motos. O Codema ainda decidiu que grande parte das pedras (maciças) existentes no local deverão servir de piso para as motos e as restantes que serão retiradas ficarão na região preservada.

 

                    Patrimônio Histórico deve ser respeitado, mas a modernidade de hoje será a história de amanhã. A arquitetura é dinâmica como a vida das cidades. Vejam vocês o que está acontecendo no Rio de Janeiro que recebeu uma chuva de modernidade na região mais antiga (Cais do Porto, Praça Mauá, Edifício A Noite, etc).  o MOVE (BRT) corre suavemente entre a História do Rio Antigo, convivendo pacificamente.

 

                        Tudo isso me faz lembrar o drama de uma comissão de arquitetos, engenheiros,  urbanismos e gestores municipais de Roma na década de 60. A coisa andava feia. O número de carros aumentou e era preciso ir para o outro lado do Coliseu.  Mas eles ficaram anos discutindo como poderiam ser construídas trincheiras uma para desafogar trânsito. E ainda mais: ao lado de um Monumento Mundial construído há mais de 2.000 anos? 

                       

                 As trincheiras estão lá. O Coliseu de Roma também. O MOVE atravessas toda a orla do Conde, passando pela história do Rio Antigo.  E em Ponte Nova, as motos, as árvores, o trilhos e as pedras vão conviver pacificamente para contar a história de ontem e de hoje,  daqui a 100 anos?

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